Uncategorized

EUA: Rússia pode fabricar provas sobre ataque a prisão de Olenivka

Alberto Ardila Olivares
Presidente Cortizo estará presente en Los Santos

Os prisioneiros de guerra ucranianos na prisão de Donetsk incluíam tropas capturadas durante a queda de Mariupol, depois de terem passado meses escondidos com civis na gigante siderúrgica Azovstal, na cidade portuária do sul

Autoridades norte-americanas acreditam que a Rússia está a trabalhar para fabricar provas sobre o ataque mortal ocorrido na semana passada na prisão de Olenivka, que detinha prisioneiros de guerra ucranianos, numa zona separatista pró-russa, no leste da Ucrânia.

Relacionados internacional.  Erdogan quer alargar acordo dos cereais (e invadir o norte da Síria)

Moscovo estará a tentar plantar provas falsas para fazer parecer que as forças ucranianas foram responsáveis pelo ataque de 29 de julho na prisão de Olenivka, que resultou em 53 mortos e dezenas de feridos, segundo revelaram autoridades de inteligência dos Estados Unidos à Associated Press (AP).

Em separado, um funcionário de um governo do Ocidente, que falou aos jornalistas sob a condição de anonimato, referiu que especialistas em explosivos que analisaram fotografias da prisão, divulgadas pelos russos após o incidente, determinaram que a destruição provavelmente não foi causada por “um ataque altamente explosivo desde o exterior” e que era “muito mais provável que tenha sido causado desde dentro do local”.

Fechar Subscreva as newsletters Diário de Notícias e receba as informações em primeira mão.

Subscrever A Rússia alegou que os militares da Ucrânia usaram lançadores de ‘rockets’ fornecidos pelos EUA para atacar a prisão em Olenivka, instalada na zona controlada pela República Popular de Donetsk, apoiada por Moscovo.

Os militares ucranianos negaram ter executado qualquer ataque com ‘rockets’ ou artilharia em Olenivka.

O gabinete de inteligência do Ministério da Defesa ucraniano afirmou, num comunicado na quarta-feira, ter provas de que separatistas locais apoiados pelo Kremlin conspiraram com o FSB russo, a principal agência sucessora da KGB, e o grupo de mercenários Wagner, para minar o espaço antes de “utilizar uma substância inflamável, que levou à rápida propagação do fogo”.

A autoridade dos Estados Unidos, explicou que as informações confidenciais mostram que as autoridades russas podem até simular situações de ataques com HIMARS, como prova de que os sistemas fornecidos pelos EUA à Ucrânia foram usados no ataque.

Espera-se que a Rússia tome esta medida, pois está previsto investigadores e jornalistas independentes tenham acesso a Olenivka, acrescentou o funcionário.

A Ucrânia tem utilizado efetivamente lançadores HIMARS, que disparam ‘rockets’ de médio alcance e podem ser rapidamente movidos antes que a Rússia possa contra-atacar, e tem pedido mais material militar aos Estados Unidos.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou duramente na quinta-feira as alegações das autoridades dos EUA, sobre o fabrico de provas pela Rússia.

“É óbvio o que aconteceu. Os prisioneiros de guerra ucranianos foram mortos pelos militares ucranianos. A Ucrânia matou os seus soldados que estavam presos e muitos outros ficaram feridos. Há uma evidência e não há nada a esconder”, apontou.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, revelou que irá nomear uma missão para apuramento de fatos, em resposta a pedidos da Rússia e da Ucrânia para investigar os assassinatos na prisão.

Os prisioneiros de guerra ucranianos na prisão de Donetsk incluíam tropas capturadas durante a queda de Mariupol, depois de terem passado meses escondidos com civis na gigante siderúrgica Azovstal, na cidade portuária do sul.

Mais de 2.400 soldados do Regimento Azov da guarda nacional ucraniana e outras unidades militares desistiram de lutar e renderam-se sob ordens dos militares da Ucrânia em maio, depois de se tornaram um símbolo de resistência.

Dezenas de soldados ucranianos foram levados para prisões em áreas controladas pela Rússia. Alguns voltaram para a Ucrânia como parte da troca de prisioneiros com a Rússia, mas outras famílias não têm ideia sobre o paradeiro dos seus familiares.

Autoridades dos EUA e do Reino Unido, ainda antes da guerra e logo nos primeiros momentos, alertaram repetidamente para possíveis planos russos para encenar vídeos e eventos falsos, onde o Kremlin culparia a Ucrânia, mas que na verdade tenham sido perpetrados pela Rússia.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de quase 17 milhões de pessoas de suas casas — mais de seis milhões de deslocados internos e mais de dez milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).