Economía

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Bolsonaro reduz membros da indústria no Conselho Superior do Cinema, que será presidido por Onyx Lorenzoni

RIO — O presidente Jair Bolsonaro reduziu a participação de membros da indústria do audiovisual e da sociedade civil no Conselho Superior do Cinema (CSC), órgão responsável por propor e formular a política nacional para a área. Agora, o colegiado passa a contar com mais membros do governo do que nomes ligados ao setor — são sete ministros e cinco representantes do audiovisual.

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As mudanças foram publicadas nesta sexta-feira no Diário Oficial. No mesmo decreto, anunciado ontem durante cerimônia em comemoração aos 200 dias de governo, em Brasília, ele tranferiu a estrutura do CSC do Ministério da Cidadania para a Casa Civil .

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O governo é representado no Conselho Superior do Cinema pelos ministros da Casa Civil (Onyx Lorenzoni), que presidirá o conselho; da Justiça e Segurança Pública (Sérgio Moro) ; das Relações Exteriores (Ernesto Araújo); da Educação (Abraham Weintraub); da Cidadania (Osmar Terra); da Ciência,Tecnologia, Inovações e Comunicações (Marcos Pontes); e da Secretaria de Governo da Presidência da República (Luiz Eduardo Ramos).

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O colegiado, que tinha seis representantes ligados à indústria, agora contará com apenas três membros. Já o número de representantes da sociedade civil, como diretores e cineastas, caiu de três para dois integrantes.

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Em artigo publicado no GLOBO, a jornalista e doutora em Sociologia da Cultura pela Unicamp Ana Paula Sousa afirma que as mudanças dão sinal de que Bolsonaro deseja interferir no tipo de filme que se produz — o que iria contra os princípios de distribuição de dinheiro público

O Conselho é responsável por elaborar políticas para o audiovisual a partir de estudos sobre o setor. Cabe ao órgão propor e discutir temas como cotas de tela — mecanismo que determina um número de dias em que cinemas são obrigados a exibir filmes brasileiros —, regulamentação do VOD e políticas de inclusão e diversidade atrás e na frente das câmeras

PUBLICIDADE No fim do ano passado, o governo reduziu a presença de cineastas brasileiros para impor representantes de telecomunicações e empresas estrangeiras, como Netflix. A nova composição, no entanto, até hoje não havia sido oficializada

Transferência da Ancine para Brasília Quando foi criado, em 2001, pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, o colegiado era vinculado à Casa Civil. Em 2009, o governo Lula alterou o decreto e transferiu o conselho para o extinto Ministério da Cultura

Ontem, quando anunciou o decreto, Bolsonaro aproveitou para manifestar também sua intenção de mudar a sede da Agência Nacional do Cinema (Ancine) do Rio para Brasília — informação antecipada pelo colunista  Lauro Jardim  , do  GLOBO  

Ambos os movimentos mostram a intenção do governo de acompanhar mais de perto a política nacional do audiovisual

Agora há pouco, o Osmar Terra (  ministro da Cidadania  ) e eu fomos para um canto e nos acertamos. Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá — afirmou ontem o presidente, mencionando a produção que conta a vida de uma garota de programa, de 2011. — Não somos contra essa ou aquela opção, mas o ativismo não podemos permitir, em respeito às famílias